SALA75
Sala75 é um espaço de formação e criação em desenho e pintura que se estrutura como ateliê-laboratório, voltado a usuários da rede de saúde mental do Instituto Nise da Silveira e aberto também à comunidade exterior. O projeto articula-se como uma plataforma de acompanhamento de processos, onde o aprendizado técnico convive com a invenção de poéticas singulares.
Organizado em duas turmas — aspirantes e orientados — Sala75 compreende o acompanhamento continuado como território de aprofundamento. Na turma de aspirantes, os fundamentos da pintura e do desenho surgem de modo gradual: composição, perspectiva, escala e teoria da cor são apresentados como ferramentas de aproximação sensível com a imagem. Na turma de orientados, esses conteúdos se expandem para questões mais complexas do campo da arte, estimulando reflexão sobre linguagem e autonomia criativa.
O projeto afirma o fazer artístico como produção de conhecimento, e não como prática terapêutica. O ateliê é entendido como lugar de convivência, onde técnica e experiência se entrelaçam, respeitando os tempos e as histórias de cada participante. A circulação entre diferentes modos de ver e de narrar o mundo constitui o núcleo pedagógico do Sala75, que aposta na imagem como forma de presença e elaboração simbólica.
Mais que um curso, o Sala75 configura um dispositivo de escuta e invenção. Entre telas, papéis e conversas, emergem obras que tensionam fronteiras entre dentro e fora da instituição, entre centro e margem, entre cuidado e criação. O ateliê torna-se, assim, um território onde a arte opera como exercício de liberdade e construção de novos modos de existir.
A turma de aspirantes acontece às quartas-feiras, das 10h às 12h, Nesse encontro, são apresentados princípios básicos de desenho e pintura, estimulando a experimentação e o contato inicial com processos de criação. Já para ingressar no grupo de orientados, é necessário, além do interesse, a participação e frequência nas aulas de aspirantes, bem como o desenvolvimento técnico e artístico de cada participante. O percurso é construído no tempo, valorizando o compromisso com o ateliê e o amadurecimento da linguagem pessoal.