Pelo Menos Não Estou No Seu Caminho
A intenção na série iniciada em 2021 “Pelo Menos Não Estou No Seu Caminho” , é problematizar questões relacionadas a instabilidade e resistência, e da relação entre equilíbrio, precariedade e vulnerabilidade. Essas relações ressoam em camadas de ironia e distanciamento, e de temas psicológicos que denotam o esforço para se manter o equilíbrio existencial em meio ao caos.
Esse enunciado remete à subjetividade contemporânea, marcada por ansiedades sociais e necessidade de aceitação, nesse sentido o sujeito carece de justificar-se constantemente, como uma espécie de desculpa existencial, ele justifica sua presença de maneira resignada, afirmando sua independência, onde o próprio indivíduo se afasta antes mesmo de ser rejeitado. Essa ambiguidade dialoga com o discurso contemporâneo, onde muitas vezes há um conflito entre querer ocupar um espaço e sentir-se deslocado.
A escolha da pedra portuguesa representa permanência, no entanto aqui, sobre uma estrutura instável, revela sua fragilidade, sugerindo que pode desmoronar a qualquer momento. Sua propriedade áspera e texturizada, remete a um caráter urbano que dialoga com a cidade como cenário de tensões. Esse aspecto insere a pesquisa em um contexto de abandono, improvisação e resistência, características comuns à paisagem urbana contemporânea.