Manobras Escusas

Manobras Escusas reúne pinturas que investigam os modos de existência do indivíduo diante das tensões da vida urbana. Em vez de narrativas fechadas, a série apresenta situações ambíguas, nas quais um mesmo personagem atravessa diferentes estados de deslocamento, vulnerabilidade e adaptação.

Essa figura nunca é completamente definida. Sua identidade permanece aberta, assim como sua posição social, seu gênero ou sua origem. Mais do que representar alguém em particular, ela funciona como um corpo que experimenta as negociações silenciosas exigidas pela convivência cotidiana. Pequenos gestos, desvios, estratégias de sobrevivência e tentativas de pertencimento tornam-se matéria da pintura.

Os títulos das obras ampliam essas ambiguidades ao aproximar referências políticas, afetivas e culturais de cenas aparentemente ordinárias. O humor, a ironia e o estranhamento convivem com uma atmosfera de permanente instabilidade, produzindo imagens que recusam respostas imediatas.

A cidade aparece menos como cenário do que como uma força que molda comportamentos e produz relações de visibilidade e invisibilidade. Nesse contexto, as “manobras” do título não são apenas ações individuais, mas modos de existir diante das estruturas sociais, afetivas e políticas que atravessam a experiência contemporânea.

Embora realizada entre 2018 e 2021, a série estabelece questões que permanecem presentes em pesquisas posteriores, nas quais a cidade, a precariedade e as formas de permanência no espaço urbano continuam sendo eixos centrais da investigação artística.