Pesquisa

A produção do artista se desenvolve à partir da observação do cotidiano e da atenção aos pequenos acontecimentos que estruturam a experiência urbana. Em vez de representar a cidade, seu trabalho propõe alterações sutis em sua leitura, deslocando objetos, imagens e situações para revelar significados que permanecem latentes naquilo que parece comum.

Seja por meio da fotografia, pintura, objetos ou intervenções, estas não constituem pesquisas independentes, mas diferentes desdobramentos de uma mesma investigação. Cada série encontra, em seu próprio processo, a linguagem mais adequada para desenvolvê-la.

Há na pesquisa a convicção de que pequenas alterações podem reorganizar sistemas inteiros de significado. Ao reposicionar uma pedra, aproximar imagens improváveis ou intervir sobre materiais encontrados, o artista não procura transformar radicalmente a realidade, mas criar condições para que ela seja percebida de outra maneira.

Pedras, fotografias, pinturas e objetos cotidianos preservam marcas de seus usos anteriores e carregam consigo experiências acumuladas. Em suas obras, esses elementos deixam de desempenhar apenas sua função original para se tornarem dispositivos capazes de produzir novas relações entre espaço, memória e percepção.

Longe de oferecer respostas ou conclusões, as obras permanecem abertas, convidando o espectador a construir seus próprios percursos de interpretação. Cada trabalho funciona como uma pequena operação de deslocamento, em que a aparente simplicidade dos gestos contrasta com a multiplicidade de sentidos que deles pode surgir, nesse cotexto, humor e ironia aparecem como estratégias de aproximação. 

Mais do que produzir objetos ou imagens, a pesquisa  procura criar situações em que o olhar desacelera, as certezas se tornam provisórias e o cotidiano revela possibilidades que antes pareciam invisíveis.